A mídia exterior dentro de uma nova realidade
Alexandre Davis
Presidente do Sepex-MG
A chamada “responsabilidade social”, na realidade, é um novo posicionamento. Em alguns casos, ratificação de postura, em função do que a sociedade de hoje exige. Passamos por vários estágios, desde a fase inaugurada por Ford até os dias de hoje, em que embalagens de produtos trazem manifestações contra o trabalho infantil, ou a favor da conservação do meio ambiente etc.
É dentro dessa nova ótica que se posiciona o Sepex-MG - que completará quatro anos no mês de julho próximo - e as empresas de mídia exterior sindicalizadas, que participam de campanhas institucionais fomentadas pelo sindicato e da filosofia de correção e contribuição social. Somos veementemente contrários ao bloqueio do segmento. A mídia exterior não pode ser simplesmente excluída. Defendemos normas e fiscalização, com regulamentação, dinâmica e municipais, que preservem e contemplem as belezas e particularidades de cada cidade. Cabe às empresas, por sua vez, cuidarem do espaço e do ambiente social em que estão inseridas.
Dentro do princípio da responsabilidade social, alguns pontos precisam ser destacados:
Impostos (ISSQN) – A posição do Sepex-MG e da Fenapex (Federação Nacional das Empresas de Publicidade Exterior) é contrária à isenção do ISSQN. Não aceitamos essa espécie de exclusão social. Somos contra as alíquotas absurdas dos impostos no Brasil, no entanto, como poderemos defender nosso segmento e exigir direitos sem cumprir nossa obrigação básica de pagar impostos?
Em função disso, estamos batalhando, junto ao Congresso Nacional, para o retorno de nossa categoria à faixa de empresas pagantes do ISSQN. Queremos pagar os impostos para os municípios aos quais estamos vinculados, dentro de bases razoáveis - e não com alíquotas de 5% ou mais, como era no passado. A maioria das empresas produtivas paga, hoje, alíquotas de 2%, mínimo fixado pelo Governo Federal. Queremos, por direito, participar do debate do desenvolvimento dos municípios, e acreditamos que só poderemos fazê-lo se estivermos “ombro-a-ombro” com os demais segmentos.
Campanhas políticas – Por que os candidatos à presidência da república, governador, deputado, senador, prefeito e vereador podem veicular propaganda em jornal, rádio e televisão e não podem fazê-lo em outdoors (leia-se mídia exterior)? Nossa mídia é de alto impacto e muito eficiente. Por que ficarmos de fora?
Todos os Sepex e a Fenapex estão em campanha nacional para que esse absurdo seja corrigido. De acordo com a Justiça Eleitoral, a lei que modificou o sistema que rege o pleito não alterou em nada os custos de campanha. Simplesmente as verbas que eram destinadas à mídia exterior foram desviadas para outros segmentos.
Já estamos cansados da imagem do patinho feio. Não suportamos mais sermos taxados como poluidores, gastadores de dinheiro de campanha e outras bobagens repetidas a esmo todos os dias por autoridades e alguns órgãos da imprensa. Poucos, felizmente. Na realidade, temos consciência de que tudo é questão de disciplina e fiscalização, ambas, sabidamente, de responsabilidade do governo.
Meio ambiente – Absurdos à parte, o Sepex-MG vai ampliar sua participação nas questões sociais. Como entidade representativa de empresas que se relacionam de perto com o meio ambiente, a instituição já estuda ações e parcerias que farão com que toda a matéria-prima utilizada pelas empresas para a confecção das peças publicitárias (lona vinílica de outdoors, empenas etc.) seja aproveitada em iniciativas como confecção de capa de colchão para comunidades carentes, asilos, creches e presídios, contenção de barragens e açudes entre outros.
A atividade da mídia exterior apresenta-se, hoje, como a mais dinâmica dos meios de comunicação. É esse dinamismo que estamos colocando em pauta, elencando, prioritariamente, os três itens relacionados acima.
Para que tudo se torne viável, precisamos que empresários, sindicatos e poder público dêem as mãos para que possamos ter cidades mais bonitas e, principalmente, com responsabilidades para com a população e o meio ambiente.